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sábado, 24 de março de 2012

É NA TERRA NÃO É NA LUA

O documentário de Gonçalo Tocha, "É na Terra não é na Lua", vai ser exibido no Cine-Teatro Avenida em Castelo Branco, no dia 5 de Junho. Lisboa e Porto vão poder vê-lo a partir do dia 29 de Março:


"Um operador de câmara e um técnico de som chegam ao Corvo em 2007, a ilha mais pequena do arquipélago dos Açores. O Corvo é um grande rochedo de 6 quilómetros de comprimento por 4 de largura em pleno oceano Atlântico, com uma cratera de vulcão, e uma única vila habitada por 440 pessoas. Pouco a pouco, a pequena equipa de filmagens vai sendo aceite pela população da ilha, mais duas pessoas a juntar-se a uma civilização com quase 500 anos, cuja história é difícil reconstruir, tal é a falta de registos e memórias escritas. Filmado a um ritmo vertiginoso durante alguns anos, auto-produzido entre chegadas, partidas e regressos, «É na terra não é na Lua» é como um diário de bordo de um navio e transforma-se numa manta de retalhos de descobertas e experiências, acompanhando a vida quotidiana de uma civilização isolada no meio do oceano. "


domingo, 11 de março de 2012

Sharon Lockhart

INSCRIÇÃO PARA A CABANA DO EREMITA DE TSUEI


    O caminho dos simples coberto de musgo vermelho
    A janela na montanha abrindo para o azul
    Invejo-te o vinho que bebes entre as flores
    e todas essas borboletas que voam nos teus sonhos.

     O Vinho e as Rosas
     antologia de poemas sobre a embriaguez

    
      fotografia de Duarte Belo

terça-feira, 6 de março de 2012

A não perder!!!! Serralves!

 


LOCUS SOLUS. IMPRESSÕES DE RAYMOND ROUSSEL

24 Mar - 01 Jul 2012 - MUSEU
O Museu de Serralves, em parceria com o Museu Reina Sofia (Madrid), apresenta a primeira grande exposição sobre a figura do poeta, dramaturgo e romancista francês Raymond Roussel (Paris, 1877 – Palermo, 1933). A mostra, intitulada Locus Solus. Impressões de Raymond Roussel, sublinha a enorme influência que Roussel exerceu em criadores contemporâneos, oriundos tanto do campo da literatura quanto das artes visuais.
A exposição é composta de aproximadamente trezentas peças, entre pinturas, fotografias, esculturas, ready mades, instalações e vídeos, para além de livros, documentos, revistas e manuscritos originais – suportes através dos quais se reflectirá sobre a influência de Roussel em alguns movimentos de vanguarda, especialmente no surrealimo. Alguns dos reconhecidos artistas com obras na exposição são, entre outros, Marcel Duchamp, Francis Picabia, Max Ernst, Salvador Dalí, Jean Tinguely, Joseph Cornell, Rodney Graham, Marcel Broodthaers, Man Ray, Roberto Matta, Guy de Cointet, Ree Morton, Terry Fox, Cristina Iglesias e Francisco Tropa.


Comissários: Manuel Borja-Villel, João Fernandes e François Piron com a colaboração de Guy Schraenen
Co-Produção: Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía e Museu de Arte Contemporânea de Serralves

sexta-feira, 2 de março de 2012

CASA DOS DESENHOS IV


Programa formativo da Casa das Histórias em colaboração com o Ar.Co
Sábados das 10h30 às 13h30 | Mín. 8, Máx. 16 | Marcação prévia

O corpo e a alma
Ângelo Encarnação

Um olhar sobre o corpo e as emoções que o motivam. Tendo como mote a leitura de textos e poemas de diversos autores, desenvolve-se o desenho de modelo vivo, numa sequência de poses e movimentos expressivos. Serão também abordados o retrato e o auto-retrato, as expressões do rosto, a caricatura e a representação dos estados de alma.

Datas: 10 e 17 Março (inclui 1 sessão de modelo vivo)
Preço: 55€ (6h) - inclui materiais


Desenhar o palco
João Miguéis

Tomando o espaço de exposição como um grande cenário, registar num conjunto de exercícios de observação, aspetos gerais e particularidades ai encontrados, elaborando um inventário coletivo de formas, cores, volumes, fundos e figuras que se ligam numa ordem que pode a todo o momento refazer-se ou alterar-se. Trocar a ordem, reunir e separar, mudar os nomes e os lugares, reorganizar através do desenho, utilizando diferentes técnicas, escalas e tempos, reinventado a (in)exatidão do espaço.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

El sol del membrillo, Victor Erice (1992)


   ver

Dicionário do Doceiro Brasileiro

E para quem não sabe, pois é, eu gosto mesmo de livros mergulhados em antropologia e etnologia, sejam ficcionais, de investigação ou como este, Dicionário do Doceiro Brasileiro, com uma escrita fluída que nos leva para o séc. XIX no Brasil através da comida, que nos fala da revolução à mesa, com a descoberta da especiaria que nos fez reinventar a sobremesa na Europa, o açúcar.
Graças a Raul Lody, carioca antropólogo, chega-nos este livro às mãos que se passeou por volta de 1892 nas livrarias brasileiras com a assinatura do Dr. Antonio José de Souza Rego. Ao longo das suas páginas encontramos 940 receitas que se transformam na história do Brasil, sentimos o cheiro e o sabor trazidos pelos colonizadores portugueses, pelos escravos africanos, e as pitadas da imigração italiana, alemã, japonesa, siria e sem nunca esquecer o cruzamento com a culinária nativa, a dos indios.
Raul Lody brinda-nos com um texto rico "Doce Comida" e levanta o véu de um outro livro que acaba por me seduzir Açúcar de Gilberto Freyre de onde saiem excertos como...

Perícia quase rival das rendeiras. Tais doceiras, como artistas, não consideravam completos seus doces ou seus bolos, sem os enfeites [...] sem assumirem formas graciosas ou simbólicas de flores, bichos, figuras humanas [...] em que as mãos das doceiras se tornassem, muito individualmente, mãos de escultoras [...] quitutes e doces, ingenuamente enfeitados com flores de papel cortado, anunciando uma confeitaria que constituem talvez a única arte que verdadeiramente nos honra.

tapioca molhada, o beiju, o doce de coco verde, o sabongo, a cocada


domingo, 15 de janeiro de 2012

Lavoisier

Ontem na Fábrica Braço de Prata vi(...) pela primeira vez Lavoisier, por entre chamamentos de pastores, o canto de ossanha e maria faia, sem esquecer a senhora do almortão.


domingo, 11 de dezembro de 2011

Pedra-pão

Pedra-Pão, teve lugar ontem na sala de ensaio do CCB e foi absolutamente fascinante.

Partindo das questões da sobrevivência e da precariedade, três actores deram corpo e vida a três personagens: Arminda, Cassandra e Jean, que se reinventavam numa luta pela "sanidade" mas roçando a loucura, revelando o absurdo, divagando entre memórias, reconstruindo fragmentos de um universo dito normal.

A cenografia contou com três móveis com rodas e portas que continham dentro deles um quotidiano extraordinário aprisionado que se ia revelando num espaço de cena em constante metamorfose, ora um cemitério, ora um quarto, ora um café por entre a poesia, o teatro e a dança.

Parabéns ao Circolando por mais este magnifico trabalho! Eu, o Rui, o Filipe e a Alexandra agradecemos.

12 a 14 de Dez. 11h na Sala de Ensaio do CCB

sábado, 15 de outubro de 2011

As raparigas lá de casa, Emanuel Félix

Como eu amei as raparigas lá de casa
discretas fabricantes da penumbra
guardavam o meu sono como se guardassem
o meu sonho
repetiam comigo as primeiras palavras
como se repetissem os meus versos
povoavam o silêncio da casa
anulando o chão os pés as portas por onde
saíam
deixando sempre um rastro de hortelã
traziam a manhã
cada manhã
o cheiro do pão fresco da umidade da terra
do leite acabado de ordenhar
(se voltassem a passar todas juntas agora
veríeis como ficava no ar o odor doce e materno
das manadas quando passam)
aproximavam-se as raparigas lá de casa
e eu escutava a inquieta maresia
dos seus corpos
umas vezes duros e frios como seixos
outras vezes tépidos como o interior dos frutos
no outono
penteavam-me
e as suas mãos eram leves e frescas como as folhas
na primavera

não me lembro da cor dos olhos quando olhava
os olhos das raparigas lá de casa
mas sei que era neles que se acendia
o sol
ou se agitava a superfície dos lagos
do jardim com lagos a que me levavam de mãos dadas
as raparigas lá de casa
que tinham namorados e com eles
traíam
a nossa indefinível cumplicidade

eu perdoava sempre e ainda agora perdoo
às raparigas lá de casa
porque sabia e sei que apenas o faziam
por ser esse o lado mau de sua inexplicável bondade
o vício da virtude da sua imensa ternura
da ternura inefável do meu primeiro amor
do meu amor pelas raparigas lá de casa

(Habitação das Chuvas)