terça-feira, 9 de março de 2010

Khôra, Alberto Carneiro e Rui Chafes



















Inaugura esta terça-feira, dia 9 de Março na Fundação Carmona e Costa a exposição Khôra, será o lugar-comum dos escultores Alberto Carneiro e Rui Chafes com desenho e escultura.
A inauguração decorre pelas 18h30 com lançamento do catálogo em co-edição com a Assírio Alvim.


Exposição patente até 21 de Maio de 2010
Horários: Qua a Sex: 13h-20h
Edifício Soeiro Pereira Gomes
(antigo Edifício da Bolsa Nova de Lisboa)
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lte 1- 6.º A/C/D
Bairro do Rego
Bairro Santos
Metro: Jardim Zoológico, Praça de Espanha, Cidade Universitária

segunda-feira, 8 de março de 2010

Gordon Matta-Clark




Estava numa aula de Arquitectura quando o Professor e Arquitecto João Ramos Marques, resolveu falar introdutoriamente de Gordon Matta-Clark, depois dessa aula resolvi pesquisar mais e alguns meses depois encontrei dois livros um deles é para mim muito mais interessante não só como livro que acompanha a obra de um autor mas como objecto, Gordon Matta-Clark, IVAM Centre Julio Gonzalez, editado como catalogo para a exposição do artista aí realizada em 1993.

Gordon Matta-Clark estudou e formou-se em arquitectura, no entanto foi o precursor de um movimento que intitulou de Anarchitecture (Não-Arquitectura), Gordon defendia que “quando os arquitectos pretendem produzir arquitectura espacial, continuam no solo, e aí está o erro profundo, porque eles apenas produzem elementos no espaço, mas jamais criam estrutura espacial.” Confesso que não poderia estar mais de acordo.


Gordon começa então por entrar em espaços abandonados: casas, edifícios, armazéns, espaços não desenvolvidos onde irá criar uma mutação espacial nesses lugares, redesenhando as percepções espaciais e desenvolvendo o potencial microcósmico em que a relação com o todo era o acto predominante, e desta forma o gesto de Gordon transgride o corpo arquitectónico e a sua ordem, já que a produção arquitectónica era sinónimo de “prisão”, uma vez que a arquitectura não era apenas imagem da ordem social mas o que preserva e impõe essa ordem.

Gordon altera os espaços até às suas raízes, implicando um reconhecimento total do edifício, trabalhando num acto escultórico os lugares e a dimensão escultural da luz, serve-se de vários registos, recortes de edifícios, fotografias, filmes, instalações ou a transladação de resíduos resultantes desses mesmos recortes para as galerias.



Imagem I e II, Conical Intersect, 1975, Paris



Imagem III e IV, Day's End, 1975 

Imagem V e VI, Splitting, 1974


Imagem VII e VIII, Office Baroque, 1977



Fontes: Gordon Matta-Clark, IVAM Centre Julio Gonzalez
Gordon Matta-Clark, Phaidon
              O Filme arquitectónico de Matta Clark de Corinne Diserens







sexta-feira, 5 de março de 2010

Engenheiro do Tempo Perdido

Publicado pela Assírio & Alvim, o livro contém entrevistas com Pierre Cabanne a Marcel Duchamp, dois anos antes da sua morte. É para mim um livro obrigatório, não existe outra palavra. Para quem quer perceber quem era Marcel Duchamp e porque é tão importante no percurso da História da Arte, que revolução causou ele na consciência humana? Porque inverteu ele um urinol? O que significa isto de escapar da "arte retiniana"? Conhecer a travessia do Grand Verre e perceber como o novo caminho que Duchamp traça permite a existência de artistas como Jonh Cage ou Hélio Oiticica.
Marcel Duchamp levou a História da Arte e o seu público a reflectir sobre a obra de arte, sobre a linguagem artística, colocando-nos a pensar.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

quer

E por falar em ser criança...

..existe uma loja na Quinta das Conchas onde encontramos coisas que até o mais "sério" crescido tem vontade de brincar.. é a quer...



e os xilofones que lá vendem, são de uma sensibilidade que aposto que se tivesse tido um daqueles os meus país não teriam sofrido tanto com as minhas batucadas... afinal de contas só assim é que aquilo fazia "som"...

Ilustrarte '09, Museu da Electricidade



A Ilustrarte é um evento bienal que ocorre desde 2003, tem como objectivo divulgar o que de bom se pode fazer na ilustração infantil e a vencedora da quarta edição é a belga Isabelle Vandenabeele, de entre cerca 1300 participantes de 59 países, Isabelle concorreu com três xilogravuras que estão presentes no Museu da Electricidade entre dezenas de ilustrações patentes até 4 de Abril.


A literatura infantil com o devido apoio, pode mesmo ser o início do despertar da criança, não só pelo que se escreve, mas também como se ilustra e se articula uma coisa e outra.
Gosto muito de ver a simplicidade e inteligência de Christian Voltz a trabalhar para os mais pequenos.


Acredito que a criança pode receber a semente  através do contacto com o desenho, a ilustração, a literatura... e até mesmo dar-lhe a entender de forma simples como pode surgir a motivação para a obra de uma vida, no fundo "fazer de conta" que o artista é alguem que nunca deixou de construir universos e formas diferentes de ver a partir da realidade, à semelhança do que a criança faz no seu quarto, quando o transforma numa selva horripilante, ou num acampamento arqueológico em que o amontoado de sapatos fazem de fogueira, ou mesmo quando transformam a cama num barco que atravessa um mar tenebroso, é claro que ela não é criadora... porque falta-lhe o conhecimento e a consciência crítica, mas pode testar experiências, ser criativa e mais tarde terá provavelmente mais sensibilidade e possibilidade de se não fazer, sentir aquilo que os artistas fazem. No fundo trata-se de construir uma infância rica: com tardes a brincarem de ilustradoras das estórias que mais gostam, a construírem monstros enigmáticos e articulados em pedaços de papel, com contacto com a terra, com possibilidade de se sujarem, de começarem a tentar resolver simples problemas e quem sabe estes adultos amanhã, não serão muito menos ignorantes ou insensíveis perante as obras de artistas como, Helena Almeida, por exemplo. Lembro-me da tarde em que visitava o BesPhoto e estava um grupo de jovens com 17 ou 18 anos a olhar para um vídeo de Helena Almeida e a comentar, «Foi esta maluca que se arrasta no chão que ganhou?!» e isto acontece porque não tiveram quem os sensibilizasse quem os ajudasse a entender ou desse a conhecer. Por isso acredito que podemos tornar as crianças e jovens mais ricos pensando nos adultos que vão ser.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Rebecca Horn

O meu primeiro real contacto com aquilo que é o processo de trabalho de um artista e daquilo a que posso chamar de "impulso investigador" deu-se na exposição desta artista alemã, há uns anos no CCB, levou-me a perceber um tanto de coisas e ajudar-me a tomar direcções, e perder pudores entre experimentar ou não este ou aquele registo porque não "domino" tal.



Rebecca Horn inicia o seu percurso na década de 60, época em que a expressão e a forma do corpo eram o principal interesse artístico. Aluna de Joseph Beuys, que a influenciou claramente, começa a sua derradeira obra ao mesmo tempo que passa por um grave problema de saúde que a leva ao isolamento num hospital, esta restrição de contacto com o exterior e as experiências pelas quais passa,  fá-la começar a trabalhar numa série de desenhos, que acabam por ser estudos para peças que irá executar quando dalí sair, essas peças debruçam-se sobre restrições físicas impostas de variadíssimas maneiras. A influência de artistas como Paul Nougé ou Man Ray, de escritores como André Breton, Oscar Wilde ou Raymond Rossel, estão presentes, assim como a colaboração não só com escritores mas também com compositores.
No início, o corpo fragilizado onde entrevem, e mais tarde, o corpo autónomo e austero que entrevem sobre o espaço. Rebecca começa por trabalhar numa espécie de próteses que constrói e veste para explorar outras formas de sensibilidade ou "reduzir" o seu possível contacto com o exterior, e trabalha isto em performances intrinsecamente relacionadas com o lugar, fotografia, desenho, colagem e video, numa primeira fase, e depois chegamos à peça que para mim contém toda a tragectória de Rebecca Horn, até mesmo aos dias de hoje, se pensarmos nos desenhos de expressão livre que acaba por autonomizar.


Bleistiftmaske, 1972, é uma peça marcada por uma estrutura geométrica onde na intersecção das linhas existem lápis, esta estrutura é vestida como uma máscara e Rebecca testa o rastro que os lápis deixam sobre uma superfície de papel, introduzindo ritmo, registando a performance em vídeo, o movimento robótico incutido na performance dá origem a uma nova questão: Porque não substituir o meu corpo por um mecanismo onde possa obter ao mesmo tempo uma performance gráfica?? E é assim que mais tarde surgem peças como esta:


Existe toda uma questão metafórica introduzida na construção destes mecanismos que nos catapultam para o universo femenino/masculino, para a questão do corpo e ainda o trabalhar em cima de dualidades como dia/noite (luz/sombra). Rebecca Horn referiu: "..as minhas maquinas não são maquinas de lavar, têm características quase humanas e também se transformam. Ficam nervosas e às vezes também precisam de uma pausa. Quando uma máquina pára de funcionar, isso não significa que esteja avariada, está só esgotada. Para mim, o aspecto trágico ou melancólico das máquinas é importante. Eu não quero mesmo que funcionem para sempre. Faz parte da vida parar e desmaiar." Existe portanto o aspecto aparentemente humano que é parte fundamental destes mecanismos. Estes dispositivos e intalações surgem no fim de 80 e inicio de 90 e "depois" deles, Rebecca, passa a trabalhar com o desenho, mas agora o desenho é autónomo, desenhos concebidos em grupos ou séries que prescindem do objecto, são portanto de expressão livre e gestual sobre o plano, fazendo uso do lápis em diferentes intensidades, lápis de cor, inscrições espontâneas, paisagens terrestres e cósmicas. Agora Rebecca insere o seu corpo, os seus movimentos, ritmos e desenha o contacto com o mundo interior e exterior levando-a a trabalhar um universo ilimitado. 

                                            
   


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Comuna Teatro de Pesquisa

A primeira vez que visitei a Comuna tinha 15 anos e estava no 10º ano, fui com uma professora de Filosofia ver uma peça trabalhada a partir de Gil Vicente, eram grupos pequenos entre 10 a 15 pessoas que desciam para uma sala e lá personagens e público misturavam-se intrinsecamente, o palco era a sala em constante reinvenção, a peça, os dialogos a relação público-teatro, fizeram-me ver o teatro de outra forma. E falo da Comuna por 2 motivos: o primeiro A Palavra dos Poetas, que decorre há já alguns anos, escolhendo um autor português todos os meses, sobre o qual se vai trabalhar, contextualizando a obra, cuja dramaturgia e escolha pertence a Carlos Paulo, acompanhado por um único músico que é responsável pela sonoplastia recorrendo a vários instrumentos.
A entrada é livre, acontece às quintas, às 19h no café-teatro, tem a duração de cerca de 60 minutos e este mês trabalha-se o poeta Manuel da Fonseca com uma homenagem a Maria Barroso, em Março será Agostinho da Silva...




O segundo motivo é a peça que está em cena, A Felicidade, Amanhã, que parte dos dramatículos de Samuel Beckett nomeadamente Não Eu, Play e Acto sem Palavras II, a coisa foca-se nestes dramatículos que dão consistência à ruptura de Beckett com a própria obra e o teatro do séc. XX, e ganha corpo sobre "qualquer coisa" como isto:

 "Terra, buracos, paisagem, mesas, contentores, latas, água, líquidos, pedras. Um homem nu que executa ações confinado a um espaço; um homem registra em áudio memórias, canções; uma boca vocifera um discurso de forma estonteante; três cabeças enterradas falam sobre a sua vida sem se relacionarem; dois homens executam tarefas à vez, partilham a mesma roupa, porque sim, é inevitável. Não há princípio nem fim apenas o meio..."  

Quartas e Quintas às 21.30 com o preço único de 5 euros, até 27 de Março.

Imagem e excerto: Comuna