quinta-feira, 22 de abril de 2010
Khora, Alberto Carneiro e Rui Chafes
«Este livro recupera a estrutura interior do Caderno Preto (1968-71) de Alberto Carneiro e procura reproduzir uma aproximação a um lugar a que chamaremos Khora (termo platónico) simbolizado neste objecto pela folha branca.
Esta “descida” ao mais singelo, ao lugar «anterior», talvez nos faça reconsiderar que a elevação a que comummente se chama transcendência não esteja acima ou fora de nós, mas penetrante, entre a inteireza dos sentidos e uma consciência mais funda do que a inteligência pode controlar.
Numa altura em que o mito ainda não estava definitivamente separado da ciência e da filosofia, Platão apresenta o universo como génese dos princípios metafísicos, distinguindo as oposições binárias que marcaram o pensamento ocidental.
As distinções entre ser e devir, inteligível e sensível, ideal e material, eram pensadas como mundo perfeito da razão e mundo material imperfeito. Platão problematiza essa oposição, introduzindo uma categoria intermediária — Khora — como possibilidade de mediação ou transição entre a polaridade.
Khora. Foi a procura deste lugar-comum que fez convergir na exposição a obra de dois escultores, que, embora recorrendo ambos ao vocabulário da tridimensionalidade, o fazem com linguagens, meios e percursos absolutamente distintos. Por isso, as relações entre as obras dos dois autores (desenho, escultura, escrita) não serão encontradas formalmente. O ponto de contacto entre o desenho de ambos pode ser estabelecido pontualmente, mas só resistirá se seguirmos o movimento divergente — desprendimento e ancoragem ao corpo — que nele é percorrido para cercar o espaço Khora.
Se atendermos aos desenhos de 1966 de Alberto Carneiro [Raízes, caules, folhas, flores e frutos], percebemos como as primeiras alusões ao corpo dão lugar a rastos da sua passagem e, posteriormente, ao desaparecimento desses rastos. No desenho de Alberto Carneiro pode falar-se em ausência do corpo (disembodiment), não porque este tenha deixado de estar presente, mas porque agora é indistinto do cosmos, fundiu-se nele. O movimento percorrido no desenho de Rui Chafes é o da corporalização (embodiment). As alusões aos órgãos ou, periodicamente, à figura humana completa não cessam de circular.
Sigamos o telescópio de Alberto Carneiro e a câmara endoscópica de Rui Chafes. Na intercepção das duas lentes talvez possamos atravessar Khora.»
Sara Antónia Matos
[texto e curadoria da exposição, patente na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, entre 10 de Março e 21 de Maio de 2010]
quinta-feira, 8 de abril de 2010
António Reis e Margarida Cordeiro, de 9 a 18 de Abril na Panorama
É xisto de casas que apanho do chão. É uma tábua que prego e uma candeia que acendo. É uma talha que
lavo, uma azeitona que corto.
Um vento que estendo.
É um baldio que escavo. Uma gadanha que afio. Uma encosta que subo e um tempero que lembro.
É uma trança que solto.
Um escano que fecho,
que não vendo,
e uma roca que fio...
ANTÓNIO REIS
Trás-os-Montes – Junho de 1969
«"Era amor." Não há outra forma de falar do trabalho de António Reis e Margarida Cordeiro. Juntos fizeram uma obra mítica do cinema português, filmada sobretudo em Trás-os-Montes. Agora, 18 anos depois da morte dele, ela vive numa aldeia retirada do mundo. Ou não?...
...Trás-os-Montes, o primeiro filme que assinou com António Reis, tornou-se uma referência para toda uma geração, e 33 anos depois da estreia continua a ser a súmula de algo português. "Para um povo e para um país à procura de si próprios", escreveu João Bénard da Costa, "é uma das poucas pedras do caminho que nos pode ajudar a reencontrar a direcção".
...a 4ª mostra do documentário português Panorama (Cinema São Jorge, Lisboa, 9 a 18 de Abril) vai destacar a obra de António Reis e Margarida Cordeiro e serão exibidos os quatro filmes: Jaime (ainda só assinado por Reis), Trás-os-Montes, Ana e Rosa de Areia.
O Projecto seguinte seria a adaptação da obra-prima do mexicano Juan Rulfo, Pedro Páramo (edição portuguesa na Cavalo de Ferro), mas Reis morreu em 1991. Margarida quis continuar a ideia, chegou a ir ao México fazer pesquisa, mas recebeu recusas sucessivas de subsídio até o filme ser aprovado. Nunca chegou a ser feito.»
Consultar: Panorama
entrevista ao Público de Margarida Cordeiro, Novembro 2009
blogue com a obra de António Reis e Margarida Cordeiro
quarta-feira, 31 de março de 2010
A Chuva não cai da Lua
Andrea Inocêncio
A Chuva não cai da Lua é uma instalação que fala de desequilíbrios, que denuncia uma situação de violência.
Apesar do avanço tecnológico, que se verifica nas últimas décadas, que possibilita levar o homem até à lua desde 1969, aqui na terra, não se tem levado um bem essencial, como a água, a todos que dela necessitam. Embora exista água suficiente para todos, no mundo, 1,1milhão de pessoas não contam com este recurso, mulheres e meninas que vivem em zonas rurais do mundo em desenvolvimento, são em muitas sociedades as responsáveis pela existência de água potável no lar, caminhando mais de 5 horas por dia e carregando vários litros de água. Esta situação, para além de levar as meninas a um elevado índice de absentismo escolar e escassa participação das mulheres na vida social, também as expõe a diversas situações de violência: aborto, violação, discriminação e agressão.
Uma realidade que se pode chamar vergonhosa, num mundo que se diz «globalizado».
A Chuva não cai da Lua é uma instalação que fala de desequilíbrios, que denuncia uma situação de violência.
Apesar do avanço tecnológico, que se verifica nas últimas décadas, que possibilita levar o homem até à lua desde 1969, aqui na terra, não se tem levado um bem essencial, como a água, a todos que dela necessitam. Embora exista água suficiente para todos, no mundo, 1,1milhão de pessoas não contam com este recurso, mulheres e meninas que vivem em zonas rurais do mundo em desenvolvimento, são em muitas sociedades as responsáveis pela existência de água potável no lar, caminhando mais de 5 horas por dia e carregando vários litros de água. Esta situação, para além de levar as meninas a um elevado índice de absentismo escolar e escassa participação das mulheres na vida social, também as expõe a diversas situações de violência: aborto, violação, discriminação e agressão.
Uma realidade que se pode chamar vergonhosa, num mundo que se diz «globalizado».
terça-feira, 23 de março de 2010
Jane & Louise Wilson no CAMJAP
"TEMPO SUSPENSO"
Duas gémeas britânicas, que embora tenham feito a sua formação em espaços diferentes, trabalhavam as mesmas questões, assumindo durante o mestrado no Goldsmiths College o trabalho que desenvolvem a quatro mãos.
Uma exposição com obras inéditas e cinco esculturas executadas com base no lugar expositivo uma delas partindo de Rodchenko. Nos vídeos, a projecção de imagens reconstrói o espaço que ocupa, numa articulação intensa com este, acabando por atingir um estatuto de escultura, na medida que o espaço não se limita a ser um mero receptáculo para projecção mas é profundamente alterado e parte integrante e estrutural. Trabalhando numa espécie de arqueologia de lugares e vivencias aliada ao tempo psicológico que por sua vez nos transporta para um tempo suspenso entre duas épocas, 2ª Guerra Mundial e Actualidade e artisticamente de Rodchenko a Kubrik.
O trabalho está patente no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian até 18 de Abril.
Installation view, Haunch of Venison, Zurich 2006
Oddments Room, 2008
Fontes: artnews.org e L+arte
quarta-feira, 17 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
11 burros caem no estômago vazio
"No planalto mirandês, os seus habitantes e os burros partilham uma vida de isolamento e trabalho. Muitas vezes, os burros são o único elemento com que se estabelece um diálogo e é assim desde há muito tempo. Todas as histórias e cantigas resultantes deste universo já por si mágico e miscigenador de tradições, funcionam como um escape e como uma forma de pensar única, reveladora da realidade humana deste povo.
Filmada, esta vida resulta por meio deste filme numa proposta etnomusical de contornos antropológicos únicos em Portugal, que já não se relaciona estritamente com as noções de folclore, mas antes procura na natureza humana – onde quer que ela se encontre –, estados de alma, vidas, como se estas pessoas, ao longo dos tempos, tivessem compreendido que rir de si próprias é o melhor remédio.
Trata-se de revelar a relação destas pessoas com o ambiente em que vivem e trabalham e a forma como elas pensam sobre si próprias e como se riem do mundo. Procurando entender e mostrar o seu quotidiano, esta é uma história sobre as pessoas, os burros e todas as narrativas musicais e sonoras que daí derivam como se de uma operetta se tratasse. Um teatro de relva onde o encenador, as personagens e o público são todos o mesmo."
Duração: 29 m
Prémios: Doclisboa 2006 Prémio Tobis de melhor curta metragem portuguesa
Realização: Tiago Pereira
e aqui na integra...
Texto: http://www.noticiasdonordeste.com/feixesdeluz/filme6.html
Filmada, esta vida resulta por meio deste filme numa proposta etnomusical de contornos antropológicos únicos em Portugal, que já não se relaciona estritamente com as noções de folclore, mas antes procura na natureza humana – onde quer que ela se encontre –, estados de alma, vidas, como se estas pessoas, ao longo dos tempos, tivessem compreendido que rir de si próprias é o melhor remédio.
Trata-se de revelar a relação destas pessoas com o ambiente em que vivem e trabalham e a forma como elas pensam sobre si próprias e como se riem do mundo. Procurando entender e mostrar o seu quotidiano, esta é uma história sobre as pessoas, os burros e todas as narrativas musicais e sonoras que daí derivam como se de uma operetta se tratasse. Um teatro de relva onde o encenador, as personagens e o público são todos o mesmo."
Duração: 29 m
Prémios: Doclisboa 2006 Prémio Tobis de melhor curta metragem portuguesa
Realização: Tiago Pereira
e aqui na integra...
Texto: http://www.noticiasdonordeste.com/feixesdeluz/filme6.html
terça-feira, 9 de março de 2010
Khôra, Alberto Carneiro e Rui Chafes
Inaugura esta terça-feira, dia 9 de Março na Fundação Carmona e Costa a exposição Khôra, será o lugar-comum dos escultores Alberto Carneiro e Rui Chafes com desenho e escultura.
A inauguração decorre pelas 18h30 com lançamento do catálogo em co-edição com a Assírio Alvim.
Exposição patente até 21 de Maio de 2010
Horários: Qua a Sex: 13h-20h
Edifício Soeiro Pereira Gomes
(antigo Edifício da Bolsa Nova de Lisboa)
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lte 1- 6.º A/C/D
Bairro do Rego
Bairro Santos
Metro: Jardim Zoológico, Praça de Espanha, Cidade Universitária
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