quinta-feira, 6 de maio de 2010

2 exposições...

Exposição "Gigante" de Francisco Tropa
(ex-aluno e ex-responsável do departamento de Escultura do Ar.Co)
na Galeria Quadrado Azul - Lisboa

Largo dos Stephens, 4, 1200-457 Lisboa
Dias 5,6,7 e 8 de Maio das 21h30 às 24h
http://www.quadradoazul.pt/
 
 
Inaugura Sexta-feira, 7 de Maio, a partir das 19h, a exposição "Correspondência #2" de Ana Hatherly (ex-professora no Ar.Co) e António Poppe (professor e ex-aluno do Ar.Co) na Arte Contempo

Rua dos Navegantes, 46 A, 1200-732 Lisboa
Patente até 27 de Junho
Horário: 5ª a Sábado das 14h30 às 19h30
http://www.artecontempo.org/

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Aos amigos, Herberto Helder

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Khora, Alberto Carneiro e Rui Chafes


«Este livro recupera a estrutura interior do Caderno Preto (1968-71) de Alberto Carneiro e procura reproduzir uma aproximação a um lugar a que chamaremos Khora (termo platónico) simbolizado neste objecto pela folha branca.


Esta “descida” ao mais singelo, ao lugar «anterior», talvez nos faça reconsiderar que a elevação a que comummente se chama transcendência não esteja acima ou fora de nós, mas penetrante, entre a inteireza dos sentidos e uma consciência mais funda do que a inteligência pode controlar.

Numa altura em que o mito ainda não estava definitivamente separado da ciência e da filosofia, Platão apresenta o universo como génese dos princípios metafísicos, distinguindo as oposições binárias que marcaram o pensamento ocidental.

As distinções entre ser e devir, inteligível e sensível, ideal e material, eram pensadas como mundo perfeito da razão e mundo material imperfeito. Platão problematiza essa oposição, introduzindo uma categoria intermediária — Khora — como possibilidade de mediação ou transição entre a polaridade.

Khora. Foi a procura deste lugar-comum que fez convergir na exposição a obra de dois escultores, que, embora recorrendo ambos ao vocabulário da tridimensionalidade, o fazem com linguagens, meios e percursos absolutamente distintos. Por isso, as relações entre as obras dos dois autores (desenho, escultura, escrita) não serão encontradas formalmente. O ponto de contacto entre o desenho de ambos pode ser estabelecido pontualmente, mas só resistirá se seguirmos o movimento divergente — desprendimento e ancoragem ao corpo — que nele é percorrido para cercar o espaço Khora.

Se atendermos aos desenhos de 1966 de Alberto Carneiro [Raízes, caules, folhas, flores e frutos], percebemos como as primeiras alusões ao corpo dão lugar a rastos da sua passagem e, posteriormente, ao desaparecimento desses rastos. No desenho de Alberto Carneiro pode falar-se em ausência do corpo (disembodiment), não porque este tenha deixado de estar presente, mas porque agora é indistinto do cosmos, fundiu-se nele. O movimento percorrido no desenho de Rui Chafes é o da corporalização (embodiment). As alusões aos órgãos ou, periodicamente, à figura humana completa não cessam de circular.

Sigamos o telescópio de Alberto Carneiro e a câmara endoscópica de Rui Chafes. Na intercepção das duas lentes talvez possamos atravessar Khora.»

Sara Antónia Matos


[texto e curadoria da exposição, patente na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, entre 10 de Março e 21 de Maio de 2010]

quinta-feira, 8 de abril de 2010

António Reis e Margarida Cordeiro, de 9 a 18 de Abril na Panorama



É xisto de casas que apanho do chão. É uma tábua que prego e uma candeia que acendo. É uma talha que
lavo, uma azeitona que corto.


Um vento que estendo.

É um baldio que escavo. Uma gadanha que afio. Uma encosta que subo e um tempero que lembro.


É uma trança que solto.
Um escano que fecho,
que não vendo,

e uma roca que fio...




ANTÓNIO REIS
Trás-os-Montes – Junho de 1969


«"Era amor." Não há outra forma de falar do trabalho de António Reis e Margarida Cordeiro. Juntos fizeram uma obra mítica do cinema português, filmada sobretudo em Trás-os-Montes. Agora, 18 anos depois da morte dele, ela vive numa aldeia retirada do mundo. Ou não?...

...Trás-os-Montes, o primeiro filme que assinou com António Reis, tornou-se uma referência para toda uma geração, e 33 anos depois da estreia continua a ser a súmula de algo português. "Para um povo e para um país à procura de si próprios", escreveu João Bénard da Costa, "é uma das poucas pedras do caminho que nos pode ajudar a reencontrar a direcção".

...a 4ª mostra do documentário português Panorama (Cinema São Jorge, Lisboa, 9 a 18 de Abril) vai destacar a obra de António Reis e Margarida Cordeiro e serão exibidos os quatro filmes: Jaime (ainda só assinado por Reis), Trás-os-Montes, Ana e Rosa de Areia.

O Projecto seguinte seria a adaptação da obra-prima do mexicano Juan Rulfo, Pedro Páramo (edição portuguesa na Cavalo de Ferro), mas Reis morreu em 1991. Margarida quis continuar a ideia, chegou a ir ao México fazer pesquisa, mas recebeu recusas sucessivas de subsídio até o filme ser aprovado. Nunca chegou a ser feito.»



ConsultarPanorama
entrevista ao Público de Margarida Cordeiro, Novembro 2009
blogue com a obra de António Reis e Margarida Cordeiro

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Chuva não cai da Lua

Andrea Inocêncio

A Chuva não cai da Lua é uma instalação que fala de desequilíbrios, que denuncia uma situação de violência.
Apesar do avanço tecnológico, que se verifica nas últimas décadas, que possibilita levar o homem até à lua desde 1969, aqui na terra, não se tem levado um bem essencial, como a água, a todos que dela necessitam. Embora exista água suficiente para todos, no mundo, 1,1milhão de pessoas não contam com este recurso, mulheres e meninas que vivem em zonas rurais do mundo em desenvolvimento, são em muitas sociedades as responsáveis pela existência de água potável no lar, caminhando mais de 5 horas por dia e carregando vários litros de água. Esta situação, para além de levar as meninas a um elevado índice de absentismo escolar e escassa participação das mulheres na vida social, também as expõe a diversas situações de violência: aborto, violação, discriminação e agressão.
Uma realidade que se pode chamar vergonhosa, num mundo que se diz «globalizado».

terça-feira, 23 de março de 2010

Jane & Louise Wilson no CAMJAP

"TEMPO SUSPENSO"

Duas gémeas britânicas, que embora tenham feito a sua formação em espaços diferentes, trabalhavam as mesmas questões, assumindo durante o mestrado no Goldsmiths College o trabalho que desenvolvem a quatro mãos.

Uma exposição com obras inéditas e cinco esculturas executadas com base no lugar expositivo uma delas partindo de Rodchenko. Nos vídeos, a projecção de imagens reconstrói o espaço que ocupa, numa articulação intensa com este, acabando por atingir um estatuto de escultura, na medida que o espaço não se limita a ser um mero receptáculo para projecção mas é profundamente alterado e parte integrante e estrutural. Trabalhando numa espécie de arqueologia de lugares e vivencias aliada ao tempo psicológico que por sua vez nos transporta para um tempo suspenso entre duas épocas, 2ª Guerra Mundial e Actualidade e artisticamente de Rodchenko a Kubrik.



O trabalho está patente no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian até 18 de Abril.


Installation view, Haunch of Venison, Zurich 2006


     
Oddments Room, 2008

 Fontes: artnews.org e L+arte