quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Casa dos Desenhos, Programa Formativo de Desenho


O exercício de um olhar atento e interpretativo do desenho é explorado em diálogo com as obras e os processos criativos dos artistas Paula Rego e Victor Willing.

Um ciclo intensivo de prática de desenho, elaborado em estreita colaboração com o Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, que assume a responsabilidade pedagógica.



O programa é composto por quatro workshops temáticos e as sessões decorrem em diferentes

espaços da Casa das Histórias.


1º Programa:

Observação e imaginação / data: 25 de Setembro e 9 de Outubro 2010; Sábado das 10h às 13h

Confrontação entre o desenho que parte da observação de espaços, figuras e objectos com o desenho que surge a partir de imagens imaginárias.


2º Programa:

Quadros Vivos (Desenho de modelo) / data: 16 e 23 de Outubro 2010; Sábado das 10h às 13h

Encenação, elaboração do espaço, quadros vivos. Exercícios de desenho de modelo vivo com recurso a riscadores e colagens.

1ª sessão (no espaço do museu). O vivo e o morto, a colagem, o pegado e o despegado, o cosido e o descosido. Desenhar, tesourar, recriar, construir, recortar, tirar, pôr, atirar. Desenhar com recortes.

2ª sessão (no auditório): Desenho de modelo nu. Concentração, análise prática e composição: construir, elaborar, distinguir.

Professor: António Marques


3º Programa:

Figuras humanas, figuras não-humanas e figuras do espaço / data: 13 e 20 de Novembro; Sábado das 10h às 13h

Composição de “figuras” progressivamente mais complexas, tomando como modelos as obras expostas no espaço real do museu e os próprios participantes como componentes desse espaço. Introdução a vários tipos de materiais explorando as suas vocações e potenciais expressivos específicos.

Professor: João Miguéis


4º Programa:

Luz, densidade e transparência / data: 8 e 15 de Janeiro 2011; Sábado das 10h às 13h

A partir da observação de obras expostas e tendo o claro/escuro como mote do programa serão lançados exercícios de desenho com diferentes ritmos, escalas, registos gráficos e materiais (tintas de água, pincéis e riscadores), explorando relações entre figuras e entre figura e fundo.

Em exercícios finais, os participantes desenham composições “transformadas” a partir das obras expostas.

Professor: Paulo Brighenti


Inscrições e local de realização:

Casa das Histórias Paula Rego - Av. República, 300, 2750-475 Cascais

Contactos:

email: educa@casadashistorias

tel. +351 214 826 970/ www.casadashistoriaspaularego.com



De 25 Setembro a 15 Janeiro

4 workshops de 2 sessões (3h/sessão)

Horário: Sábados das 10h às 13h

Mín. 8 Max. 20 participantes

Preço: 55€ inscrição por workshop (6h); 200€ inscrição nos 4 workshops (24h) – inclui kit de materiais de desenho

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

CASA-ABRIGO, Circolando



Tomando por pontos de partida as obras de Gaston Bachelard e Louise Bourgeois, chegamos a um conjunto de palavras-chave que nos servem de guia: casas abandonadas, suspensas no tempo, reocupadas pela natureza. Casas que se abriram ao céu, casas que ganharam raízes. Abrigos, refúgios, casulos, ventres. Mulheres-casa-mãe. Fiadeiras e tecedeiras. Aranhas, ovelhas, bichos-da-seda. Fios e novelos. Dobadoiras e teares. Cantos de trabalho. Canções de embalar. Baloiços em sonhos imensos. Sonhos de mar e sal. Sonhos com ninhos de pássaros.
Um concerto-encenado, uma projecção vídeo e várias instalações são os modos que escolhemos para abordar estas temáticas. O cruzamento de várias linguagens artísticas - teatro físico, dança, artes plásticas, música, video - está então na base deste nosso teatro de imagens próximo da poesia. Com uma componente deambulatória, "Casa-Abrigo", tece fortes relações com o espaço que a acolhe. Cada lugar há-de torná-la um acontecimento único. A recriação contínua é, pois, uma das marcas do espectáculo.

...As casas que o tempo fundiu com a natureza são o ponto de partida. Casas com árvores e com pássaros. Casas com terra, chuva e vento. Casas feitas de um tempo suspenso, fora dos dias, próximo da eternidade.
Nelas fomos encontrar um grupo de mulheres que sonha com um fio misterioso capaz de tecer um abrigo para resguardar um mundo feito de luz e de histórias brancas. Um fio capaz de tecer uma casa de paredes maleáveis que nos envolvem e nos aconchegam. Uma casa-ninho, casulo, ventre. Uma casa que nos guarda para sempre "o regaço aquático da nossa mãe".
Começamos por encontrá-las nos seus quartos de sonho. Vestem vestidos feitos com os materiais da casa, pedra, pó e cal. Mulheres eternas, estátuas que respiram. Seguimo-las de quarto em quarto, de sonho em sonho. O percurso leva-nos ao lugar dos seus segredos, dos seus rituais. Um sotão feito de fios, refúgio dos vários instrumentos dos ofícios de tecer.
Ali, despem os seus invólucros de pedra e revelam-nos intacto o seu lado de crianças. É tempo de celebração do novo fio. Fazem soar os seus engenhos tornados instrumentos de música e trazem-nos a memória de um mundo rural antigo.
Comunidade de trabalho e afecto onde o homem está ausente. O fio com inicio do mais fundo de nós será tecido em forma de casulo. A casa-abrigo que nos devolve a paz do berço. Respiramos fundo e obrigamos o mundo a relaxar. Uma golfada de ar que nos enche de branco a cabeça.


Dia 12 e 13 de Março de 2011 no S. Luiz, Lisboa

Fonte: www.circolando.com

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pavlina e o Dr. Erlenmeyer de João Penalva


Destacando da mostra de João Penalva no Chiado 8 que terminou a 25 de Junho, o "filme" Pavlina, numa exposição coerente e de ambiente museológico denso e profundamente encenado onde um som estranho nos acompanha, numa antecipação do culminar desta exposição, repleta de relações criadas entre dois pólos: um físico, Dr. Erlenmeyer que trabalhou o conceito da base da naftalina e Pavlina uma bióloga reformada que se dedicou ao estudo das traças e que participou numa pesquisa sobre os sonhos de reformados, relatando o seu.
O sonho de Pavlina é apresentado textualmente por meio de um projector analógico, numa sala escura, cujo silêncio é quebrado apenas pelo som da passagem sequencial dos slides, e onde o tempo existente entre um slide e outro aliado à escuridão nos dão a premissa de jogarmos com as nossas memórias criando um universo individual a que a dada altura se junta mais um elemento, um filme estranho, onde nos surge uma traça em grande escala, ao mesmo tempo que um som desconcertante que se assemelha ao de "uma turbina de um avião" emerge, e que nos é familiar, pois era este o mesmo som que ouvimos ao longo do percurso até aqui chegarmos. Desconhece-se a autoria do filme mas a sobreposição do sonho de Pavlina com este perturbador filme aliado ao universo individual de cada um, construído no tempo, fizeram desta instalação o ponto alto da exposição.


imagem: www.articoweb.it

domingo, 15 de agosto de 2010

Sentir a casa, Fiama Hasse Pais Brandão


Sentir a casa, a luz mais densa. Viver agora este contorno
mais do que o de plantas espesso. Temer o espaço,
então, o rectilíneo; (a memória diz: o útero, o gineceu da flor).
É o solstício no corpo, frigidíssimo som entre folhas,
a memória: nesta hora (visual),
ó porta extinguirmo-nos, rememorar.

Fiama Hasse Pais Brandão
Obra Breve

domingo, 8 de agosto de 2010