quinta-feira, 23 de junho de 2011

Seguir o traço, Teresa Gonçalves Lobo



O Centro Cultural de Cascais apresenta até ao dia 26 de Junho, Seguindo o traço da artista Teresa Gonçalves Lobo.

" A disciplina secreta do desenho"


São cerca de 40 desenhos realizados entre 2005 e 2011.

Fundação D. Luís I
Av. Rei Humberto II de Itália
2750-641 Cascais

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pelas Sombras


...E aí vão as águas na urgência após a retenção, abertas as comportas, numa corrida sobressaltada, pelos caneiros, arrastando as folhas que se desentopem para lhe dar passagem. É um ritual quinzenal de Lurdes Castro: dar de beber ao seu jardim, no Caniço, na Ilha da Madeira. A artista das sombras que permaneceu na sombra durante anos é agora revelada no seu espaço, na sua quietude, no seu silêncio, na sua obscuridade pelas câmaras da realizadora Catarina Mourão. A ideia de filmar Lurdes Castro não surgiu de um impulso. Foi antes um processo moroso, de longa data, que envolveu anos, quase doze, de maturação, muitas conversas e encontros com a artista. Com ela aprendeu a desacelerar, "porque é as escuras e no silêncio que se trabalha", diz Lurdes Castro. Como os bolbos de jacinto que vão criando raízes em frascos guardados no escuro dos armários e debaixo do lava-louças. "Às vezes ponho-me a pensar como deve ser por debaixo da terra, as raízes todas, umas com as outras, aquele mundo às escuras", comenta ela... e sorri. Catarina Mourão não queria de todo fazer um documentário nos moldes convencionais e pedagógigos, com entrevistas a críticos de arte, etc... Queria, através das sombras, da obra da artística captar uma dimensão metafísica e abstracta. "Afinal, o grande desafio o cinema é tornar visível o invisível". Também em filmes anteriores, como a Dama de Chandor (1998), interessava-lhe o micro-cosmos, e cavar mais fundo, "ir para baixo da terra". "No fundo, este é um filme sobre uma mulher de 80 anos numa casa". Tal como os teatros de sombras a que Lurdes se dedicava, e a que Catarina um dia assistiu no CAM, aos 14 anos, - gestos lentos e delicados do quotidiano, tão efémeros, ilusórios e fugidios que fizeram Lurdes Castro perder o sentido da "arte para pendurar na parede". A sua pintura agora é o seu jardim, 12 mil metros quadrados de tela que nunca estará completo. Catarina torna-se uma espécie de cúmplice nessa forma de fazer, quando a acompanha nos pequenos gestos, e a apanha a estender a roupa lentamente, a escovar os dentes em contra-luz, a pentear o cabelo ao ar livre, a fazer um arranjo de florinhas num copo de água, a desfolhar os seus 34 volumes onde arquiva, ao longo de anos, tudo o que se relaciona com sombras, em sentido lato, desde vultos, contornos, mapas, o homem que se pulverizou em Hiroshima, mas a marca do seu corpo ficou estampada na parede... E quando deixa o tempo passar, e nos deixa a contemplar os musgos, as folhagens, a neblima, ao som de Schubert, a subir a montanha e deixar a paisagem em contornos esfumados. A sombra é isso: "Tem tudo o que tem o objecto mas o mínimo possível para ser reconhecido".



Fonte: visão.pt

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Manuel Rodrigues, A(s) cultura(s) da arte, Porta 33 (audio)


Está disponível no site da Porta 33, no formato audio, o workshop dado por Manuel Rodrigues em 2010.
São 5 aulas que viajam pelos sistemas de cultura, avançando até à cultura critica, passam por todo um processo que é importante de se perceber para chegar à questão do trabalho de si e à obra de arte, tocando em referências fundamentais tais como: Sócrates e Platão.

A(s) cultura(s) da arte , Manuel Rodrigues

quinta-feira, 24 de março de 2011

OSTRA - Projecto Teatral, Espaço Avenida



por:

João Rodrigues, Maria Duarte, Helena Tavares,
André Maranha e Gonçalo Ferreira de Almeida


(Trabalho apoiado pelo MC / DGArtes e pela
Fundação Calouste Gulbenkian)

de:

17 de Março a 2 de Abril, 22h/23h
Rua Rosa Araújo, 15 (espaço avenida),

914 038 500 / 919 699 976

Projecto Teatral

sexta-feira, 18 de março de 2011

Um modo de olhar para as coisas, Peter Zumthor

" Quando penso a arquitectura, as imagens apropriam-se da minha mente. Muitas delas estão ligadas à prática e ao ofício de arquitecto. Contêm o conhecimento profissional que venho acumulando ao longo dos anos. Outras têm a ver com a minha infância. Tempos houve em que experimentei a arquitectura sem pensar nela. Por vezes, na minha mão, quase posso sentir o puxador de porta específico, um pedaço de metal em forma do dorso de uma colher.

Costumava mexer-lhe quando ia para o jardim da minha tia. Este puxador permanece como um sinal singular de entrada para um mundo de diferentes predisposições e cheiros. Recordo o som da gravilha sob os meus pés, o brilho doce da escada de carvalho encerada, consigo ouvir a porta da frente fechando-se pesada atrás de mim, enquanto caminhava ao longo do corredor escuro e entrava na cozinha, a única divisão da casa verdadeiramente iluminada.

Recordando-a, dá a impressão de ser também a única divisão da casa em que o tecto não desaparecia no crepúsculo, os pequenos mosaicos hexagonais do pavimento, vermelhos escuros e tão ajustados entre si que as juntas eram quase imperceptíveis, sentia-os duros e inflexíveis sob os meus pés, e o cheiro a tinta de óleo brotava do guarda-louça da cozinha.

…. Quando projecto um edifício, é frequente encontrar-me dentro de velhas memórias já quase esquecidas. De imediato, procuro precisar a lembrança dessa situação arquitectónica, qual o sentido que para mim tivera nesse tempo, e tento pensar como pode agora ajudar-me a recriar essa atmosfera vibrante, saturada pela simples presença das coisas, na qual tudo tinha o seu lugar e forma especificas. E, apesar de não conseguir traçar quaisquer formas especiais, há uma sugestão de plenitude e riqueza que me faz pensar: “já vi isto antes”."